quarta-feira, dezembro 01, 2010

Boa noite

Todos os dias,
No fim de tarde,
Vou passar pela sua porta, sorrateiramente,
Sem fazer barulho.

Te deixarei uma flor e um poema
Pra que tu se sinta amado
Pra ser sempre lembrado,
Mesmo que distante,
Do meu querer.

Te vejo de longe,
Com o rosto surpreso
Procurando, em vão, o tal remetente
Mil pensamentos te consomem.

Espero que, antes de dormir,
Quando deitar na cama,
Com os olhos quase fechando,
Você lembre das minhas palavras.

E quando os sonhos chegarem,
Você vai estar com um sorriso aberto,
Pensando em mim ou em outro amor
Me conforta apenas te fazer sentir bem.

segunda-feira, novembro 15, 2010

Iminência

Me tem sido recorrente
Aqueles milésimos de segundos, naquela noite
Quando de repente teu olhar era só meu,
Me convidando a ficar um pouco mais.

Minha resposta foi silenciosa,
Me debrucei sobre você,
Fechei os olhos e me deixei à deriva
Sem pretensões maiores.

Os pensamentos se dissipam
O corpo age por si só,
Se arrastando calculadamente em direção ao seu
As peles inebriadas se buscam...

Subitamente, paramos,
Sorrimos e percebemos que
O que nos resta, é calar a vontade.

sexta-feira, setembro 17, 2010

Escarlate

Me pego em pensamentos distantes
Me perguntando onde pode estar aquele sentimento
Dos dias que a gente lembra com um sorriso no rosto
Que não se pode descrever

Na memória, as cores são mais bonitas
Ou talvez únicas, como se naquele momento
O mundo tivesse mudado de cor
Pra que aquele momento fosse guardado pra sempre.

Lembro-me de uma cena, que passa devagar na cabeça
Um movimento lento, que me leva a tantos outros lugares, outras pessoas
Chego quase a sentir o cheiro da chuva caindo,
De como eu te olhava nos olhos...

Só nos restam esses fragmentos de saudade
Daquele dia que não volta
Dos abraços dissolvidos no tempo
De tudo que foi.

sexta-feira, setembro 03, 2010

Não

Devoro-te em pensamento
Toda a tua liberdade despretenciosa me envolveu
Me encantava teus olhos fechados
Me vem um turbilhão.

Era como se, naqueles dias, o tempo corresse diferente
Tuas histórias me tiravam do chão
Mesmo que se resumissem a pequenas frases
Como se ouvesse uma certa timidez disfarçada.

Tão efêmero quanto um amanhecer
Nos despedimos num fim de tarde,
Sem pretenções ou dúvidas
Simplesmente trocamos um último olhar.

Deixemos assim,
Esses momentos colorem o imaginário
Nos enchem de metáforas
E por mais perigosas que elas sejam,
Eu sorrio.

Tudo fora premeditado,
Nós deveríamos ser breves.
Assim foi decido,
Nesses dias de desencontros.

Era suficiente...

quinta-feira, julho 22, 2010

Silêncio

Penso em todas as coisas que poderiam ser ditas
Nas histórias, as idéias,
As saudades, as lembranças
Nada, de fato, vem até mim.

Lhe dou uma ponte,
Que nunca é cruzada.
Insisto na quebra,
Mas, o que te convém, é andar no mesmo caminho, talvez o mais longo.

Imagino qual seria sua primeira palavra,
Quem sabe uma frase...
No final, não ganho mais, do que a palavra
Que nada tem a dizer.

quinta-feira, julho 01, 2010

Amanhã

Quando o amanhecer voltar a ser dourado,
Quando teus olhos enxergarem púrpura
O nosso Bonde vai passar.

Nesse dia, como que por acaso,
Nos abraçaremos e as mágoas vão dissolver.

Falaremos sobre aquela tarde, lembraremos de músicas e filmes.
Tomaremos um café e, entre um cigarro e outro,
Teu sorriso vai se abrir, como em outros tempos.

Só te farei sentir bem.
O tempo se encarregará de só guardar as boas lembranças.

Falsete

Ainda é estranho te ver longe,
Mesmo quando o sentimento se diz distante.
Te sinto dentro de mim,
Como se nada tivesse mudado.

É estranho te imaginar ao lado de outro alguém
Uma vez que meu corpo ainda te sente,
Mesmo que na sala ao lado
Todos os dias.

Me perco nesse labirinto,
Nessa confusão de vontades...
Nesse querer, não querer, imposto,
Nada mais me atrai.

Sonho com teu sorriso junto ao meu
Naquele amanhecer dourado, que hoje se mostra tão longe.
Os desejos à flor da pele,
Vem aqui...

terça-feira, junho 22, 2010

Analogia

Quando perguntado sobre o que era o amor
Simplesmente não encontrou palavras
Ultimamente só conhecia o silêncio
Quebrado apenas por conversas curtas

Tentava encontrar, nos amores inventados
Alguma forma de conforto
Na sua cabeça, sentimentos não têm fim
Talvez alguma bobagem que leu em algum lugar

Que culpa tinha se os outros não lhe conquistavam o olhar?
Buscava apenas um momento pra respirar
Queria tirar um peso de si mesmo,
Que as feridas fechassem.

As tardes confundiam os sentidos,
Mesmo que, como já sabia,
Não havia mais como pensar naqueles dias
O tempo já os levou pra longe.

O que lhe confunde, é seu deslumbramento
A nostalgia que o faz olhar sempre pra trás
Pra ele, o passado se faz presente
Colorindo seus dias sem cor.

quarta-feira, maio 12, 2010

Penumbra

Estávamos ali, os dois
O ar tornara-se denso,
Quase como uma névoa, que nos envolvia,
Confundia os sentidos e as vontades.

Nos olhávamos fixamente
Como se ordenássemos uma inércia.
Conversávamos com o olhar
E, como se obedecêssemos uma lei tácita,
Nos despimos.

Tinha agora somente um corpo à minha frente
Era como se me olhasse no espelho.
Aquele corpo, de alguma forma, me pertencia
Isso era suficiente.

Não precisava de carícias, nem de sentir sua pele
Seu olhar era de pecado
E, seu corpo nu, me inebriava de desejo.

terça-feira, abril 27, 2010

Imaculado

Permaneço numa fuga ensaiada,
Um querer não ter perto, por estar longe.
Fazendo com que as vontades se percam,
A razão tem que se fazer maior
Ao mesmo tempo que o sentimento transborda.

O julgamento precipitado cabe na hipocrisia de cada um.
Tantos caminhos para o mesmo fim,
As palavras acabaram,
Junto com argumentos, justificativas e afins.

Torna-se quase como uma penitência.
Um caminho longo.
Que leva, ao menos imagina-se,
Para um lugar melhor.

Espera-se que cada um encene um papel.
Mas é vida real,
Não há heróis e vilões.
Há responsabilidade
E cada qual com a sua.

Não há espaço para se apontar dedos,
As decisões tem sempre um precedente.
Um motivo, por mais infundado que seja.

Reservo-me ao direito de permanecer assim,
Até que, se nos encontrarmos,
Um segundo capítulo será escrito.
Enquanto isso, o amor fica assim...

quinta-feira, abril 01, 2010

Antônio

Me peguei pensando em você
Naquela manhã, o céu nublado
A porta aberta,
Você me olhando

Queria te abraçar
Te contar meus sonhos
Saber dos teus
Andar por aí,
Tomar um café

Imagino teus cabelos já grisalhos
As primeiras rugas,
Mas o mesmo olhar,
A mesma força

Que saudade...
Minha inocência me fez perder detalhes
Não lembro das tuas músicas,
Dos teus gostos, do teu cheiro...

Te conheci pelas lembranças alheias
Pela saudade de todos
Por todo o sentimento que você espalhou
E que ainda está aqui

Ainda assim, eu lembro:
Naquela manhã, o céu nublado
A porta aberta,
Você me olhando.

Isso já me basta
Me faz te sentir aqui
Ao meu lado, me olhando.

sexta-feira, março 26, 2010

Balela

Chega de peito inflado
Declamando o seu porquê plural
A língua confiante
As certezas gritando

Uma verdade baseada no medo
Andar perdido,
Se segurando nas filosofias mais infundadas
Clamando por auto-afirmação

Morde a língua
Se afoga numa hipocrisia movediça
E se mostra mais desorientado
Olhos vagos
E a mesma atitude vazia

Sua revolução barata não depende de quem está ao seu lado
Mas do teu despertar,
De um passo firme.

segunda-feira, março 22, 2010

Atemporal

Olhos atentos
Tudo à flor da pele
Pensamento perto
A busca é sorrateira,
Só não se sabe bem o que se quer

Um passo firme no escuro
Tateando pessoas
Vontades aleatórias
Tudo ao mesmo tempo

Olho no espelho ou ao meu redor?
Atitudes dúbias
As margens se multiplicam
E te levam para um abismo
De dúvidas (e certezas)

quarta-feira, março 17, 2010

Nosso

Às vezes me falta um beijo
Daqueles que nos faz fechar as portas para o mundo
Que nos embriaga,
Nos envolve numa atmosfera particular

Aquele que pertence só a dois
Que é carimbo de um sentimento
Que nos faz querer parar o tempo,
O que torna o físico abstrato

Não é ensaiado,
Nem premeditado
Simplesmente, por algum motivo,
Ele é.

sábado, fevereiro 20, 2010

Desordem

Nunca entendi bem essa obsessão
Essa vontade que surge
Sempre que te tenho perto
Desse jeito, desde quando te roubei o primeiro olhar

Eu era teu, você sabia
Insistimos no contrário por teimosia
Acabamos por nos encontrar
Inconscientes

Já não me importo de me fazer presente
De me enfeitar pra você
Nem de sentir teu cheiro em mim
O material se torna banal
Não me importa a coerência,
Nos pertencemos.

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Dois

Meu sentimento, com o tempo, torna-se uma antítese
Desejo ter perto, como desejo distância
Quero que você me queira
Como espero não mais querer-te

Quero te prender em mim
Mas não quero te ver
Cansei de pensar em você
Mas escrevo, como uma forma de ter aqui

Quando saio, torço pra te encontrar
Se por acaso vejo, fujo
Eu sei o que sinto
Só não sei o que vou sentir depois

Tudo muda, eu mudo
Você muda
Estamos nos perdendo
Ou ganhando uma outra possibilidade?

Perguntas sem respostas
Não sei se esqueço
Ou se devo lembrar
Espero uma definição
Um ponto final.

...

Uma virgula?

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Estação

Subo no Bonde
Despeço-me daqui
Do meu lugar favorito
Que talvez não seja mais pra mim
Que eu não pertenço
Que não me deixa ficar

Despeço-me por mim
E, principalmente, por ti
Que hoje me mata
De saudade
Que me faz amar um amor que não cabe em mim

Eu fujo, sim, fujo
Fujo por me perder em você
Por sentir os passos pesados
Pelo constante penar

O Bonde segue viagem
Se mistura na tarde púrpura
Se perde na noite escura
Esperando o amanhecer
Onde eu possa, de longe, te olhar de novo

terça-feira, dezembro 22, 2009

Vermelho

Vem, com pretenção e malícia
Com um sorriso no canto do rosto
Rouba meu ar, me tira do chão

Éramos destinados um ao outro
Tudo fora arranjado
Antes do primeiro encontro
Antes dessa vida e de tantas outras

Teu olhar me despertou
Arrancou minha inocência
Atiçou meus instintos
Me prendeu em ti

Minha mente beirava na tua
Nossos lábios se buscavam incessantemente
Mas sempre impedidos
Por um motivo ou por outro

Hoje, me embebedo do teu sabor
E já não consigo sair de perto
Não vivo sem tua força
Sem tua alegria
Sem teu incansável desejo de viver mais

Te liberto para amar o mundo
Espalhar teu perfume
Para encantar
Deixar saudade

Sei que, no final
É comigo que você vai estar
Como sempre foi,
Como sempre será

segunda-feira, novembro 30, 2009

F

Te deixo voar
Não há mais o que eu possa fazer
Quero te ver por aí
Sorrindo, com o seu sorriso mais bonito

Com brilho no olho
Se permitindo
E vivendo, tudo o que há pra viver

E

O tempo não passa
Estou só
Te procurando sempre
Sem esperança de te encontrar

Um sorriso cru
Lágrimas pesadas
Olhar vago

I

Só mais um beijo
Um abraço
Um sussuro

Queria caminhar por aí, segurando tua mão
Olhar a lua e cantarolar nossa música
Só mais um dia
Só mais uma madrugada
Só um nascer do sol

segunda-feira, novembro 23, 2009

R

Perdemos o controle
Não existem respostas ou explicações
Gritamos coisas sem sentido
Rasgo tuas promessas

Não vou olhar pra trás
Nem pensar em tudo que foi
Te apunhalo

quinta-feira, novembro 19, 2009

G

Algo está errado
Os dias não são os mesmos
Nos distraímos
E a realidade se confunde com os sonhos

Fugimos daquilo que aflinge
Fingimos um sorriso
E tudo parece estar certo

Quebramos espelhos
E só vemos o que está ao redor

Cure

As expectativas dissolvem ao mesmo tempo que criam consistência
Não existem mais verdades
Os dias se enchem de uma atmosfera de dúvida
Onde uma neblina insiste em pairar sobre as cabeças

Passos inseguros em direções desconhecidas
Nos perdemos num lugar
Onde não sabemos o que sentir
Ou como agir

Um peso que nos leva pra baixo
Uma caminhada lenta e sofrida
Cicatrizes que nunca somem

Esperando alguém que te leve
Para um lugar mais bonito
Onde você possa, mais um vez, deitar-se sobre o desconhecido
E aquilo, de alguma forma, te fazer delirar
Tirar os pés do chão
E sorrir, sem motivo algum

quarta-feira, outubro 28, 2009

Bilhete

Fazer desvanecer
O que já me escorre,
O que se despede
E me desencaixa.

Vejo seu caminhar lento,
O céu escurecendo a cada passo dado.
Eu cubro meus olhos.

A vida passa por mim
E sou coadjuvante
As cores se apagam
A música silencia

O Bonde passou
Você seguiu viagem
Eu me atrasei

Eu te dou o "para sempre" nas minhas palavras.
O resto vira poeira
E o vento leva.
Elas ficam.

Quando a falta gritar,
Você pode me ler,
Nos versos,
Nas brisas,
Nos sonhos,
Num amanhecer dourado.

terça-feira, outubro 27, 2009

Raiz

Ah, eu amo
Sem pretensão, sem intenção
Sem motivo
É só amor
No sentido mais puro que essa palavra pode ter

O cabelo de árvore
Os olhos de sonho
São grandes
E são únicas
Cada uma do seu jeitinho
Apaixonante
Viciante

Mas vem a saudade
Um turbilhão
Que faz a gente se perder no meio dele

Elas foram pra longe
Buscar seus sonhos
E para viver
Viver o mundo
Descobrir

Eu só queria um abraço todos os dias
Queria deitar e sonhar junto
Ver o dia nascer e se perder no meio de tudo
Queria caminhar com elas
Poder estar ali
Pra tudo

Eu amo,
Quero
E sei

Vocês fazem parte de mim
E canto minha saudade, pelos quatro cantos
Sem medo
Pois sei que nossos caminhos
São um só.

Eu amo.

sexta-feira, outubro 16, 2009

Vendo

Me perdendo
Escorrendo
Sumindo

Caminho sem rumo, tentando te achar
Te sentir

Os sentidos se misturam
Numa explosão sinestésica

Desejo
Saudade
Vem

quarta-feira, julho 01, 2009

Maciço

O que pareceu uma tarde comum
Hoje lembro com saudade
Café, cigarros, Kubrick

Deitávamos sem pretensão
O sol caía preguiçosamente
E nem ligávamos, nada importava

Ríamos e nos abraçavamos
E o mundo desabava lá fora

Minha preguiça logo cedo
Teu cuidado com os detalhes

Palavras, fotografias
O concreto que não nos deixa esquecer
Dos dias e das noites
Incrustados em cada parte do meu corpo

terça-feira, junho 30, 2009

Agora

Não sei por onde ir
Nem o que sentir
Um turbilhão à minha frente
E permaneço estático.

Não tenho um só minuto para mim
Sempre estou com os mesmos pensamentos
Indo pelos mesmos caminhos
Sem você.

Vazio

segunda-feira, junho 29, 2009

Eu não sei mais
Eu não entendo
Só sinto

Uma falta que chega a ser desumana
Uma falta que atenta até nos sonhos

Tudo me falta
Você me falta
Tua paz, teu aconchego

Nada posso fazer
Só esperar que o tempo me faça aceitar
Que ele me arraste, até que eu possa levantar
E ir sozinho.
vazio.

quarta-feira, junho 24, 2009

Saudade

7 letras
Para 7 luas de amor

Eu queria poder ver teu sorriso todos os dias
Poder segurar tua mão e ter a certeza de que você está ao meu lado
Poder te sentir ao meu lado, mesmo longe
Saber que eu tenho a minha pessoa
Sentir amor a cada minuto

Andar por aí ao seu lado
Sem destino
Viver o mundo e nos permitir
Escutar tua voz logo cedo
Acordar e sentir teu calor

Nos envolver numa noite negra
E nos amar num resplandecer dourado

Estou aqui por você.

terça-feira, maio 12, 2009

Para o infinito

"A intuição é considerada um dom misterioso conferido de vez em quando aos indivíduos pelos deuses ou pela hereditariedade, sendo, portanto, difícilmente ensinável. (ARNHEIM, Rudolf)"

Uma pausa de dois ventos
Pra sentir um fio dourado, atrás da consciência
Querer um aconchego, um abraço apertado
Sem pretenção alguma
Silêncio, por favor
Já dizia o Monte e a Viola
Solenes e pontuais

Me empresta tua pausa de mil compassos
Me faz ver as meninas, mesmo longe
Não fale, se cale

Silêncio, por favor

sexta-feira, abril 24, 2009

Carrossel

Eu lembro daquele dia, naquele mês
Eu ainda lembro do teu sorriso, colado no meu
Sem pretensão ou pudor
Eu te embalava no ar, andando na grama molhada
E sentia uma chuva leve, um arrepio

Eu lembro que a noite nunca acabava
Lembro do teu sono de montanha
E de como tu se espalhava na cama
A gente dançava e parecia que não existia mais nada
Eu lembro que disse que não ia pra casa sem você

Eu lembro daquelas horas, quando era só você e eu
Dos nossos segredos, dos nossos sonhos
Das músicas que nos embalavam o dia inteiro

Eu lembro de cada despedida
De cada abraço apertado
De cada saudade
De todos os sorrisos de reencontro
De como é bom te ter perto
Pra gente ter sempre do que lembrar

Eu lembro de como a gente conversava com o olhar
E de como faltavam palavras
Eu não sabia explicar nós dois
Porque era ela
Porque era eu

segunda-feira, abril 06, 2009

00:44

Queria te escrever a coisa mais bonita, mas explodo em sentimento e me perco nas palavras.

domingo, abril 05, 2009

Aquilo

Não entendo bem como certas pessoas se tornam parte de nós. Eu gosto de deitar na cama e pensar no que elas estão pensando naquela hora ou de quando recebo um telefonema e sorrio sem motivo, durante o dia todo. Uma vontade de botar seu mundo numa mochila e partir, com essa pessoa, num barquinho pequeno, sem destino e sem capitão. Vontade de devorá-la, ao poucos, para que, a cada dia, você se enfeitice, sempre de um jeito diferente. Perceber que os sonhos vão se fundindo num só e se confundir até onde você vai e começa o outro. Até que, num dia banal, no momento mais inesperado, você entenda, de certa forma, o porquê de tudo aquilo e então sinta, o amor.

segunda-feira, março 30, 2009

Rarefeito

A cada palavra lida me cresce uma vontade de não-sei-o-quê
Uma sensação do paralelo
Das linhas que nunca se encontram
Do que não pertenço
De me sentir um detalhe
Um ponto, no meio de tantos

Tolice
Os pensamentos vão pra onde não deviam
Questionamentos
E a vontade de não saber mais nada

Torno-me uma antítese
Esquecer
Ou aprender a conviver com isso
Talvez tudo seja exagero
E só venha perdendo tempo
Talvez não
Talvez
Talvez

Imagino um reflexo
Outro e vários
E sinto o mesmo
Isso deve significar algo

sábado, março 28, 2009

Luz

Eu lembro, daqueles dias
Sorrisos e abraços apertados
O tempo passava rápido
Uma despedida para um novo encontro
Sempre assim

Tão distante
Mas você faz parte de mim
Sua dor é minha dor

Sua felicidade será a minha
E eu estarei ao seu lado
Nesse momento
Tão esperado

quinta-feira, janeiro 15, 2009

P.S.

Amor: duas almas, beijos infinitos, delírio de dois corpos, o calor de uma troca de olhares, você.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

180

Decifro cada centímetro
Absorvo o momento
Guardo num baú
Cheio de coisas boas

Deitamos nas nuvens
Ao nosso redor mora o amor

Nos banhamos de desejo
E bebemos felicidade

domingo, janeiro 11, 2009

Meu

Olho as estrelas, refletidas nos teus olhos
Distantes
Com um olhar fixo

Andava pelas ruas
Sem rumo
Te procurando em cada esquina
Via tua sombra
E escutava tua voz ao longe
Quase irreconhecivel

Sussurrava palavras ensaiadas
Sem saber ao certo o que ia pensar
Bebia rapidamente pra me distrair
Ao seu lado e te sinto tão longe

Queria que você me envolvesse nessa noite
Que gritasse o seu amor
Que meu veneno dissolvesse

Sinto teu perfume em todas as flores
E sinto tua falta, ate na menor ausência
Quero inventar novas formas de te ter
Te surpreender com um olhar
Te apaixonar com um sorriso

Ontem

Não quero escutar
Nem saber
Não resisto e procuro
Perco meu sono

Sou levado a lugares que não conheço
Imagino conversas ao amanhecer
Uma troca de olhares
Um beijo de boa noite
Uma ligação inesperada, cheia de paixão
Uma despedida dolorosa
Uma carta, cheia de saudade

Me enveneno
Um antigo sabor
Amargo e forte

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Bonde Carmim

Subo, desço
Te procuro nas brisas das tardes
No raiar do sol azul

Tento fugir do meio anseio
Ao mesmo tempo que prendo-me a rotina
Quero beijos infinitos
Que da minha boca escorra meu desejo

Quero te possuir em todos os tempos
E num préterio perfeito ou mais que perfeito
Me tornar teu
Sem dúvidas ou incertezas

Quero te dar o mundo
Aquela cor púrpura
Só nossa

Quero te eternizar na minha mais nobre lembrança
Perceber teu sabor nos mais diversos temperos
Te sentir escarlate
Explodindo em mim e de mim

Te incito ao inconsciente
Ao nosso mundo
Cheio de borboletas
De cores berrantes
De essências subjetivas
Peculiares

Sente comigo a chuva poética
É a resposta dos deuses a tanta beleza
E quando as nuvens clarearem
Você sabe
É ao seu lado que eu vou estar

sábado, novembro 29, 2008

Florescer

Numa aquarela cotidiana
Tuas cores me hipnotizam
Dos tons mais suaves e delicados
Aos mais intensos e marcantes

Gosto de sentir teu cheiro em mim
De escutar tua voz logo cedo
De quando aperto teu corpo contra o meu

Te desvendar a cada olhar
Me encantar a cada sorriso
Dos meus sonhos
Ao despertar

Te sentir por completo
Te desejar no fim do dia

domingo, novembro 09, 2008

Caleidoscópio

Mil imagens
Simutâneas
Sem cor
Descartáveis

Só te queria perto
Te cuidando,
Me cuidando

Me atormentavam as idéias
Meu corpo não respondia
Minha mente beirava na tua
Me desliguei do mundo

Me declarei no silêncio
No olhar
Naquele abraço

Te quero na minha pele
Nos pensamentos
Nas palavras
Nas canções
Dentro de mim, n'alma

sábado, outubro 25, 2008

Brisa

Te sinto, até onde não sabia poder sentir
Lembro do teu sorriso
Sorrio

Passo minhas tardes te imaginando
Nos meus braços
Pertencendo a mim
A recíproca é verdadeira
Absoluta

Não sei como não te tinha antes
Me completando
Te canto nos meus sonhos
Te desejo no meu despertar

Quero gritar para o mundo
Que você está ao meu lado
Que me entreguei
Que tu me encanta

segunda-feira, outubro 13, 2008

Me bebe

Ainda lembro de quando te vi pela primeira vez
Teu rosto me era familiar,
Mas cheio de mistérios
A distância só durou alguns minutos

Te experimento a toda hora
Ainda não decidi o que prefiro

Gosto quando teu cheiro me persegue durante o dia
Quando tua pele encosta na minha
Do nosso arrepio
Do teu sorriso

De você,
Em mim

quarta-feira, setembro 17, 2008

Iz

Tem a voz mais doce
Um olhar indecifrável
Uma boca cheia de paixão
Um sorriso que faz tudo valer a pena

No teu abraço me encontro
Me sinto João
Teu

Parece que o mundo resolve parar
Vendo nosso enlace
Se distrai e esquece do resto

A falta me sufoca
Mas lembro que tu tá sempre perto
Na música que toca no rádio
No cheiro de roupa limpa
No meu café amargo

Meu par

quinta-feira, setembro 11, 2008

Baher

Teu olhar rubro.
De onde vem tanta luz?
"Do estrato da tua essência,
Diluído nas ilusões
De uma nova era"

1ª badalada

Te olhava escarlate
Através do teu véu de desejo
Fascinação efêmera
No último suspiro
Tua sombra me traiu

2ª badalada

Tua brisa me persegue
Nas janelas da primavera
No pôr do teu céu,
Descanso minha vontade
(Des)possuir

3ª badalada

Nos rituais cotidianos
Decifro tua rotina
Anseio teu despertar
Desabrochou na derrota
Apogeu, declínio
Derrota

4ª badalada

segunda-feira, setembro 08, 2008

Do outro lado

Por acaso
Nos cruzávamos
E teu olhar me sugava, era inevitável
Durava apenas alguns segundos

Um
Dois
Três

Até amanhã.

terça-feira, agosto 26, 2008

D'ouro

Tento me afastar até daquilo que não conheço
Muitas vezes não me deixam chegar perto
Outras, desisto no meio do caminho
Mesmo com aqueles olhos cor-de-céu do outro lado

Prefiro minhas voltas coditianas
Aquelas sem pretensões, sem inteções, sem desejos
Anseio e cutivo minha liberdade
Ao mesmo tempo que desejo correntes
Correntes douradas, como as que possui num verão azul

Inquebráveis.

D i s s o l v e r a m . . .

Me acorrenta
Me prende n'alma
Não me deixa voar tão alto
Não sem segurar minha mão

Fecho os olhos e te espero
Ouvindo aquela cantiga de amor
"Não se afobe não, que nada é pra já"

Querendo nosso primeiro olhar
Nosso primeiro enlace
Nossa primeira saudade
Nosso primeiro "eu te amo"

Deixa eu te viver.

sábado, maio 17, 2008

Volta

Estavam cansados quando chegaram na sala mal iluminada.

Não trocaram palavra alguma, mas ambos demonstravam sinais de ansiedade. Ainda não tinham muita intimidade e o silêncio torturava. Foram surpreendidos pela melodia que chegava através da varanda, se distrairam e esqueceram do real propósito de estarem ali.

O telefone tocava há algum tempo, ela não se incomodava. "Que é amor tudo que eu sinto longe de você" soava mais interessante e, naquele momento, nada seria apropriado. Nenhuma outra vida seria apropriada. Aquilo era apropriado.

Trocaram poucas palavras, os olhares falavam mais. Decidiram sair e fazer o que devia ser feito. Ligaram o rádio. Por que tinha que tocar aquela música? Um chegou a sentir os olhos mais pesados, mas não demonstrou abalo algum. O outro virou o rosto para o outro lado, até chegarem.

Já era o segundo dia que tentava falar com ela. Começara a ficar nervosa e imaginar coisas estúpidas, mas no fundo sabia o que estava acontecendo. Se torturava pelo feito e pelo não feito, pensava nas possibilidades e sempre chegava a conclusão de que devia ter feito diferente. Perda de tempo.

Uma despedida termina com um abraço apertado, daqueles que duram o tempo suficiente pra não querer soltar mais.
Outra termina com silêncio e ausência.

terça-feira, abril 22, 2008

Rio

Tenho dado voltas
Mas acabo sempre no mesmo ponto
Ainda nao aprendi a andar só
E ninguém me mostra o caminho, volto a você

Procuro teu olhar em outros,
Teu cheiro e teu sorriso
As ilusões derretem com o pôr-do-sol
Fecho os olhos e volto a você

Lembro do nosso despertar
De quando me protegia da água fria
Do nosso abraço aconchegante
Dos nossos filmes, músicas, poemas
Do nosso sabor, nosso amor, nosso calor
Volto a você...










(Me falta até teu mau-humor)

terça-feira, março 18, 2008

Fui eu, mais ninguém

Não sei se sinto ou se só preciso mostrar
Não sei ao menos se já cheguei a sentir...
Utopias de confusões inventadas
Fecho os olhos e faço esquecer.

Pessoas, olhares, músicas
Me sinto melhor
Estar em segundo plano é mais fácil,
Embora não ser o foco de ninguém me incomode

Seria tudo uma imatura clemência por atenção?
Uma necessidade de possuir?
Prendo-me a criar ilusões apaixonadas
Talvez pra me desviar das reais saudades,
Talvez apenas pra preencher os dias vazios.

Quanta monotonia...

domingo, março 16, 2008

Ponto

Sou levado a sentir o que não quero
O que não achava existir
Impróprio, desnecessário.
Ilegal.

Palavras sinceras me ferem
Chegam sem maldade, cheias de boas intenções
Cortam etapas, me levam ao ápice ilusório de um sentimento não experimentado
Eu sabia o que sentir
Senti.

Juras de amores alheios nos embalaram
Um momento pra ser guardado com carinho,
Talvez o molde tenha se quebrado.
Memórias do que não existiu, não causam saudade.
(Na teoria funciona)

Queria te segurar pela mão
Te levar por aí, te cantar, te encantar
Não saber o que pensar
Não me preocupar com nada.

Tenho que quebrar nossa geometria
Abandonar meus dois vértices
Esperar que alguém passe por mim...

E fique.

quinta-feira, março 06, 2008

Emaranhado

Sucumbi ao desejo.
As dúvidas acabaram
E a surpresa preencheu o vazio
Deixado pelo suposto orgulho ferido.

Peço que não se aproxime tanto
Temo que a gente dê um nó,
Daqueles que só desata ao ser cortado.

Não tenho mais força para perder nada.

Diante da chuva repentina
Deparei-me com o inesperado.
Deixei que o mal se apossasse,
Quando não soube o que sentir.

Tudo fora revelado
Antes do desejar e do sentir.
No meio de um quadrado confuso,
Surge um triângulo obtuso.

Hoje só quero esquecer de tudo.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Pisca

O não-querer-sofrer varria pra longe qualquer pretensão.
Chegava a me enganar cheio de palavras confiantes
E afirmações impostas como verdades absolutas.
Até onde consegueria levar?

Foram palavras proféticas,
Em minutos a sensação passara à pura realidade.
Aparentemente.

Tudo muda em um segundo.
Confusões e dúvidas, misturadas com pitadas de ciúme e apego
Tiram-me o pouco sono que ainda me resta.

Absurdo.

Mais dúvidas...

Eu te levo mais alto.
(Uma certeza que ninguém me tira.)

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Ausência (?)

O tempo passa arrastado
As horas são raras
Os minutos andam sem vontade e
Já passo a digerir os segundos.

Um
a
Um.

Sempre esperando sinais
Ou aquela lembrança no meio da tarde.
Me torturo com as dúvidas
Mas sempre me conforto na beira dos sonhos.

É recíproco?

Tramo planos e tenho idéias.
A prática é rara,
As vontades se dilatam.

Algumas palavras consertam tudo,
Tudo recomeça com o sol do meio-dia.

domingo, fevereiro 17, 2008

53

Nos levaram até lá.
Não tínhamos as asas,
Mas a vontade de voar
Escorria das nossas bocas e
Era visível nos nossos olhos.

Os primeiros olhares, os primeiros cheiros.
As vontades e os desejos nos consumiam
Esquecemos tudo que nos impedia
E voamos, até a terceira estrela
Ao norte do Cruzeiro do Sul.

Duas luas, pra um só corpo.
Expectativas dissolvidas
Nas experiências boas e
No medo de um súbito fim.

Me conforto com palavras doces
Esqueço de tudo
E espero que as coisas aconteçam.

Tenho que encontrar uma forma de matar essa maldita ansiedade.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008